PALAVRA DA SEMANA

11 ago, 2014
deniojunior

Justificação pela fé (parte II)

l GÁLATAS 3.1-5 l

INTRODUÇÃO: “Vocês não percebem que estão debaixo de um ataque do maligno?” Essa certamente era a exortação de Paulo aos gálatas. “Resistam a toda influência do diabo!” Afirmo isso porque a palavra “fascinou” usada no verso primeiro também poderia ser traduzida por encanto ou feitiço. Por detrás da atividade dos falsos crentes judaizantes, havia uma obra do próprio inimigo. A grande dificuldade que muitos crentes enfrentam para ter revelação da graça de Deus e saírem de debaixo do jugo da lei é justamente o engano do diabo (Jo 8.44).
Essa é a razão pela qual Paulo faz sempre a mesma oração em todas as suas epístolas. Ele sempre ora por espírito de revelação (Ef 1.16-18; Fp 1.9 e Cl 1.9). O trabalho do diabo tem sido manter as pessoas cegas para a maravilhosa graça do Senhor.

I. A prova da experiência – Gl 3.1-5
Paulo começa o seu argumento apelando para a experiência que eles tiveram. Eles sabiam pela experiência que somente poderiam desfrutar da bênção de Deus por meio da Sua graça.
A lei diz: “faça isso” ; o evangelho diz “Cristo já fez tudo”. A lei exige obras humanas; o evangelho exige fé na obra de Cristo. A lei faz exigências; o evangelho faz promessas. A lei exige obediência; a graça nos desafia a crer. Assim a lei e a graça do evangelho se opõem um ao outro.
O argumento de Paulo é apresentado na forma de três perguntas:
a) Vocês receberam o Espírito pela lei ou pela graça? (v.2)
b) Vocês começaram na graça e agora estão tentando se aperfeiçoar pela lei? (v.3)
c) Vocês receberam os milagres de Deus com base na graça ou na lei? (v.5)
Essas três perguntas nos ajudam a entender como recebemos o Espiríto e todos os milagres de Deus. E a resposta para todas elas é a mesma: Não “pelas obras da lei”, mas “pregação da fé”. Deus nos concede o Espírito (v.2) não porque obedecemos à lei, mas porque cremos no evangelho. Ninguém jamais recebeu um milagre de Deus por causa de suas boas obras e bom comportamento, todo milagre é segundo a graça para aqueles que não tem justiça própria.
Os gálatas não podiam negar que eles tinham tido uma experiência poderosa com Deus. Tinham experimentado a salvação pela graça. A experiência deles foi um fato. A maneira como Paulo pregara o evangelho foi expondo o Cristo crucificado diante deles.

1. Vocês receberam o Espírito pela lei ou pela graça? (v.2)
A graça não tem ensinamento ou uma doutrina, a Graça é o próprio Senhor Jesus. A lei exige a obediência e submissão, mas a graça nos oferece um relacionamento com uma pessoa.
A maior expressão da graça de Deus é o fato de o próprio Deus vir habitar dentro de nós.
O que Paulo estava dizendo era que os gálatas tinham recebido o Espírito pelo simples fato de que todos os pecados deles tinham sido perdoados e todo impedimento para a comunhão com Deus tinha sido destruído. Eles tinham sido justificados e todo aquele que é justo pode agora receber o Espírito. Se eles estivessem crido por meio da lei da justiça própria e do merecimento, então o Espírito nunca poderia ter vindo sobre eles, porque a lei não tem poder para perdoar pecados, e se os pecados não são perdoados não podemos ter comunhão com Deus.

2. Vocês começaram na Graça e agora estão tentando se aperfeiçoar na lei? (v.3)
Os gálatas não estavam se voltando real e completamente para a lei, a verdade é que eles queriam misturar a graça com a lei. É exatamente o que acontece hoje. Não existe igreja que ensine que se deve seguir somente a lei, elas ainda creem na graça. Esses cristãos creem que somos salvos pela graça, mas que devemos nos santificar pela lei do esforço próprio e do merecimento. Eles dizem que a salvação é pela graça, mas todas as outras bênçãos de Deus dependem do nosso merecimento.
Os gálatas citam que tinham sido justificados pela graça, mas passaram a pensar que precisavam se santificar pela lei. Contudo, tanto a justificação como a santificação provêm da nossa fé exclusivamente na obra consumada do Senhor Jesus.
A graça não estimula o pecado, mas a lei sim. Paulo disse que a força do pecado é a lei (1Co 15.56). Quanto mais você tenta guardar a lei e não pecar, mais você peca.
“O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. 1CO 15.56
Mas como a graça pode nos ajudar a vencer o pecado? Quando sabemos que fomos perdoados, somos conquistados pelo amor de Deus e isso nos afasta do pecado. Quanto mais nos sentimos amados, mais nos afastamos do pecado e procuramos agradar a Deus.
Mas a graça também significa que não somos nós que vencemos o pecado, mas o poder de Deus em nós. Isso significa que a vitória nos é dada e não conquistada pelo nosso esforço.
Quando você crê que é justo, ainda que peque, seus pensamentos ficarão alinhados com a sua crença. A vitória sobre o pecado vem somente quando as pessoas experimentam a superabundante graça de Deus.
Tendo começado pelo Espírito, é ridículo tentar se aperfeiçoar pela carne. Devemos seguir a Cristo pelo mesmo principio de como o recebemos: pela fé.
3. Vocês receberam os milagres de Deus com base na graça ou na lei? (v.5)
Aqueles que andam pela lei, ou seja, que buscam merecer a benção de Deus, não conseguem ter fé para receber coisa alguma. Isso acontece porque quanto mais eles olham para si mesmos, para os seus esforços próprios a fim de receberem de Deus, menos fé conseguem ter. Os gálatas não poderiam ter recebido nenhum milagre se tivessem confiado no merecimento da lei. A prova de que a justificação é unicamente pela graça foi o fato de terem recebido milagres de Deus sem merecerem
Olhe para todas as pessoas que receberam o milagre de Jesus durante o seu ministério na terra. Nenhuma delas mereceu. Elas não fizeram nada para receberem o milagre, além de crerem. Elas receberam o milagre por causa da graça de Deus. Do lado oposto, os fariseus tentavam de todos os meios merecer a bênção de Deus, mas não há registro que nenhum deles tenha recebido sequer um milagre de Deus.
A verdade é que tentamos exercer fé ignorando a graça. Quando você está diante de um desafio muito grande, qual sua atitude? Primeiro você se pergunta se tem condição de receber aquela bênção. Você presume que até merece receber uma bênção pequena, mas para receber algo tão grande é preciso ser muito santo e justo diante de Deus. Logo a sua fé fica condicionada ao seu merecimento. Como você pensa que é um pouquinho justo, então está apto para receber uma pequena bênção. Aqueles que recebem uma grande bênção, você conclui, é porque são muito mais santos que você.
A nossa fé depende completamente de conhecermos a graça de Deus. Nossa fé será maior na medida em que tivermos maior revelação do favor imerecido de Deus.
O Centurião de Mt 8.5-10 e A mulher Cananeía de Mt 15.21-28
O que esses indivíduos tinham em comum? Ambos eram gentios, um era romano e a outra Cananeia. Em outras palavras, estavam fora da aliança de Deus com Israel. Eles não tinham direito de receber coisa alguma de Deus, mas se chegaram ao Senhor somente confiados na graça.
Ninguém pode ter fé se anda pela lei. A lei o condena o tempo todo e sua fé é assim anulada. Paulo diz, em Romanos 4.14, que se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa. A bênção de Deus provém da fé, para que seja segundo a graça.

Conclusão: Enquanto estamos tentando merecer, nada recebemos de Deus, pois Ele jamais abençoa o homem que possui alguma justiça própria. A benção é sempre para aquele que não merece, pois somente esse pode experimentar graça. Graça é favor imerecido; se o favor é merecido então é lei, e como ninguém jamais pode cumprir a lei, também ninguém jamais receberá milagre algum se não for pela graça.